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Calço, homocinética, bieleta… queeee???

Barbies, casinhas, comidinhas… Esse era o nosso mundo quando meninas. Carrinhos e corridas não faziam parte das nossas brincadeiras. Eu ainda era bem moleca, pois gostava de jogar bola, brincar de pique- esconde, mas tenho certeza de que a Vilma era aquela menininha que chegava nas festinhas com um vestidinho impecavelmente branco – e que volta para a casa ainda branco.

O carro, para nós, se resumia a pneus, volante, freios e retrovisores. Num rally, no entanto, a realidade é outra. Se quebrássemos em uma corrida na qual não tivéssemos um rápido atendimento, poderíamos mofar muito, mas, dependendo do problema, nós mesmas poderíamos resolver na hora. Fazíamos sempre uma revisão antes das provas na Auto Mecânica Brasil Europa – e tudo era resolvido num piscar de olhos – e não tínhamos problemas de quebras durante os rallys. Então para que encher nossas cabeças com este assunto?

Paula acompanhando a revisão do carro na oficina.
Paula acompanhando a revisão do carro na oficina.

Além disso, tínhamos nossos anjos da guarda por perto, como o Miguel Sono e a Rosi Vasconcelos que sempre nos auxiliaram. Na Mitsubishi Motorsports, o casal José Eduardo e Márcia Guerra também sempre estavam por perto. Tudo corria sempre bem. Entretanto, volta e meia, a gente se cobrava: deveríamos saber mais sobre as drogas das peças e da mecânica de automóveis. Mas com que tempo?

Durante nossas viagens até os rallys, até temos esse bendito tempo, mas quando nos juntamos, falamos de tudo… menos de peças de carro! Além do que, eu tenho que seguir o ritual da Vilma quando viajamos, é uma questão de prioridades de assuntos, pois ela já entra no carro falando ao celular com a seguinte ordem:

1) Resolver os problemas da filha e da casa – o que vai ter para a janta, que horas chega a filha da escola, quem vai pegá-la, o que ela irá fazer durante o dia. Isso dura, em média, uns quarenta minutos, uma hora. Então, de repente, ela se lembra de que estamos viajando e que eu estou ao seu lado, fala rapidamente comigo e continua a peregrinação dos telefonemas, WhasApp e e-mails.

2) Resolver os problemas da clínica, o que leva, em média, 15 minutos. Outra pausa. Pergunta-me se estou fazendo algum procedimento estético e outros assuntos femininos. Volta ao celular.

Eu fico louca para ela montar logo o equipamento no carro (o Evo e sua turma), pois sempre fico apreensiva se está tudo funcionando direitinho. Mas tenho que aguardar pacientemente suas incumbências. Se for uma viagem para São Paulo, temos, em média, umas seis horas de viagem. No rito inicial, ela gasta umas duas horas, ou seja, temos mais quatro horas de conversa.

Pronto, ela lembra, mais uma vez, de que estamos no processo de rally e, ao se deparar com a minha cara ansiosa pelo ajuste do equipamento, começa, enfim, a montá-lo. Neste momento, começamos o rally: falamos sobre nossas estratégias, se vamos acelerar mais ou se não. Depois, paramos para almoçar e, daí em diante, são só amenidades. Falamos de tudo, menos de carro.

Para variar, os problemas aparecem quando menos esperamos. Em umas das provas, quebramos e não tínhamos a menor ideia do que estava acontecendo: o carro simplesmente parou. Descobrimos, depois, que nós mesmas poderíamos ter resolvido o problema.
Então, mãos à obra! Quem é esta tal de homocinética? Kkk… A mangueira de turbo pode se soltar – temos de verificar se as braçadeiras estão firmes, e se as chaves são apropriadas ao carro. Cano de descarga solto? Já entramos debaixo do carro e o fixamos. São coisinhas que podem ser resolvidas por nós mesmas.

E os barulhos após a prova? Será que vai explodir o carro? Como tenho boa audição, comecei a prestar atenção no barulho do motor e, agora, já sei identificar o que está bom ou não. Claro que não temos total conhecimento, mas já entendemos bastante de peças, calços, amortecedores, molas, bieletas e a tal famosa homocinética.

Paula e Vilma sempre acompanham a revisão do carro na oficina.
Paula e Vilma sempre acompanham a revisão do carro na oficina.

Sempre que podemos, acompanhamos o conserto do carro na oficina. Agora, não tem mais esta de sermos enganadas em postos de gasolina. Não adianta vir com aquela varetinha de óleo e dizer que temos que trocar. Sabemos de tudo que acontece no nosso carro. Temos até uma lista (que mais parece um tratado!) de coisas a averiguar no carro. Até em ferro velho nós já nos enfiamos. Este assunto de peças de carros já entrou no nosso rol de conhecimento, pois, se quisermos nos dedicar a este esporte tão emocionante que é o rally, temos que estar preparadas para tudo!

Paula Breves e Vilma Rafael

Vilma é dentista, casada e mãe de uma filha de dez anos. Paula é veterinária de animais selvagens, casada e mãe de duas filhas – uma de 12 e outra de 17 anos. As duas são do Rio de Janeiro (RJ) e amigas de longa data. A parceria no rally surgiu em 2008 e, hoje, as duas competem na categoria Graduado da Mitsubishi Motorsports Sudeste e participam de diversas outras provas – como Cerapió, Estrada Real, Transbahia e Transcatarina. Nesta coluna, as parceiras querem incentivar outras mulheres a se identificarem e participarem do universo 4×4. “Somos profissionais, mães e esposas que, com pouco tempo livre, conseguem se dedicar a um esporte focado no universo masculino”, conta Paula. “Gostamos de aventuras, adrenalina e desafios. Somos intrépidas!!!”, finaliza Vilma.

Comentários

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  • Maria Thereza Barros Moreira -

    Sim ….não eh só de beleza que se vive num rally , vcs chegaram lá , porque além de talentosas correm atrás e buscam os caminhos e conhecimentos com muita dedicação . Parabéns !!! Cada vez mais FA de vcs !!! Muito sucesso !!! Obs : Sabe que depois que comecei a freqüentar alguns RALLYS , mesmo que ainda na OBS , eu pequei a mania de sair do carro no posto e conferir se o Frentista está fazendo a coisa certa e pequei algumas tb de conversar com os mecânicos kkkkkkkkk NUNCA , JAMAIS , fazia isso antes ………